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O desafio de saber comunicar a transição energética

O desafio de saber comunicar a transição energética

Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, não tem dúvidas de que a Europa está a ganhar o desafio económico e tecnológico da transição energética. O mesmo já não se pode dizer do desafio social. “Qual é a nossa capacidade de transmitir a mensagem às pessoas?”, questionou o autarca.

O tema das mudanças climáticas não deve ser politizado, diz Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. “É um desafio que deve ser encarado por todos”, reitera o autarca que divide esses reptos em três grandes vertentes: económica, tecnológica e social.

Carlos Moedas diz que, antes, “havia uma correlação negativa entre o combate às mudanças climáticas e o crescimento económico”, uma ideia que a Europa ajudou a desmistificar. “Esta correlação, a existir, é positiva e não negativa. Entre 1990 e 2020, o crescimento europeu foi de 60% e as emissões da Europa baixaram quase 25%.”

No evento, o autarca salientou, que se o setor da construção automóvel emprega dois milhões de pessoas, a indústria verde, na Europa, gera mais de seis milhões de empregos, ilustrando assim a dimensão deste setor.

Também no capítulo tecnológico, Carlos Moedas diz que a Europa tem liderado, um facto que, no seu entender, nem sempre é compreendido pelas pessoas. “Não perdemos a corrida no que são as indústrias verdes nem no cleantech. Das quatro maiores empresas de indústria verde da Europa, três são europeias. Curiosamente, da única que ouvimos falar é norte-americana: a Tesla”, demonstrando alguma dificuldade europeia em comunicar. “Essa dificuldade leva a que muitas vezes a Europa não tenha tido essa liderança, que não é só na tecnologia e ciência, porque nessa somos líderes, mas uma liderança também na comunicação.”

Assim, apesar de considerar que estamos a ganhar o desafio económico e tecnológico, também admite que a Europa não está a ganhar o repto social. “Qual é a nossa capacidade de transmitir a mensagem às pessoas? Como conseguimos transformar conceitos vagos em conceitos concretos? Como é que cada pessoa sente que, no seu dia a dia, está a contribuir para esta mudança?” Aqui, diz Carlos Moedas, a maior plataforma para transformar o que é a mensagem europeia são as cidades. “Para mim, as cidades são as plataformas do agora, do fazer e do pragmatismo. Conseguirão, ou não, transmitir essa mensagem.”

Mais do que ações sociais

O problema, diz Carlos Moedas, é que muitos políticos pensaram que transmitir essa mensagem seria impô-la aos cidadãos. Nesta área, a Europa acabou, no entender do autarca, por se dividir entre dois tipos de políticos: “Os que dizem ter a solução e querer impô-la e os que querem construir com as pessoas.”

Um dos exemplos dados pelo ex-comissário europeu foi a ideia dos transportes públicos gratuitos para os mais novos e mais velhos, algo que em Cascais já era uma realidade, que devia ser encarada não como uma medida social, mas de descarbonização. “Se os lisboetas entenderem essa medida como descarbonização, tem efeito nas pessoas. Sabem que de cada vez que estão a apanhar aquele autocarro estão a contribuir para o combate às mudanças climáticas.” Esta transformação da linguagem do que são os grandes objetivos de uma cidade neutral para as pessoas tem de ser feita, segundo Carlos Moedas, precisamente através deste tipo de medidas muito concretas. Outro exemplo que o presidente da Câmara Municipal deu foi o Lisboa Solar, um projeto no qual a autarquia não só vai consumir energia solar através dos painéis como criar comunidades de energia nas quais os cidadãos vão poder beneficiar, nomeadamente “nos bairros mais pobres que assim vão poder pagar menos pela sua eletricidade”. Para Carlos Moedas, é este “tipo de história” que tem de ser contada. “Uma história do concreto, que possa inspirar.”

Carlos Moedas garante que o seu papel em Lisboa será sempre ligar as cidades às pessoas, para que assim percebam o que está a ser feito. “Se conseguirmos fazer isso vamos, seguramente, ganhar o desafio.”

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