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Venda de elétricos cresce, apesar da pandemia

Venda de elétricos cresce, apesar da pandemia

Helder Pedro, secretário-geral da ACAP, confirma a apetência dos portugueses pelos veículos ecológicos, mas espera também que o acesso à tecnologia seja o mais democrático possível

Em tempos de crise, o setor automóvel (neste caso, a par da restauração e hotelaria) é um dos primeiros a ser afetado, funcionando como uma espécie de barómetro. Se dúvidas houvesse, os recentes resultados das vendas de veículos no Velho Continente durante o ano de 2020 estão aí para o provar. Uma quebra “sem precedentes”, afirma a Associação Europeia de Fabricantes Automóveis (ACEA) — a mais acentuada desde que há registos, em 1990 —, garantindo que o mercado de automóveis de passageiros desceu 23,7%. Foram vendidos 9.942.509 veículos, menos três milhões do que em 2019.

Em Portugal, a queda foi ainda maior, próxima dos 35%. Foi o terceiro país da União Europeia com a descida mais acentuada, apenas ultrapassado pelos 42,8% da Croácia e os 36,8% da Bulgária. Espanha desceu 32,3% e a Alemanha, o maior mercado europeu, teve uma quebra de 19,1%.

O mês de dezembro parecia indicar alguma retoma, mas os dados de janeiro de 2021 não foram animadores. A queda em Portugal continua elevada, cifrando-se nos 28,5%.

Mas nem tudo são más notícias, sobretudo se nos focarmos em exclusivo no mercado dos veículos elétricos e dos híbridos. A venda de veículos elétricos na Europa duplicou em 2020. Sim, está certo. Um aumento de 216,9%, sendo que no último trimestre ultrapassou a venda de carros movidos a gasóleo. A venda de híbridos recarregáveis (plug-in) cresceu ainda mais (331%), enquanto os híbridos não recarregáveis aumentaram 104,7%.

Portugal confirma esta tendência: segundo números da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP), 2020 foi o melhor ano de sempre para os automóveis elétricos: foram matriculados 7.830 ligeiros de passageiros, mais 13,8% na comparação com 2019.

Acesso igualitário à tecnologia

Helder Pedro, secretário-geral da ACAP, tem acompanhado de perto este crescimento dos veículos elétricos, não só porque é um dos rostos incontornáveis e das vozes mais ativas no setor, mas também pela forma como o mundo automóvel tem implicações diretas na vontade — mais do que vontade é um compromisso — da União Europeia em atingir a neutralidade nas emissões de carbono até 2050. Há multas pesadas já em 2021, em caso de incumprimento.

“Somos o setor europeu que mais investiu em investigação e desenvolvimento e o que mais emissões reduziu. Entre 2005 e 2020, baixámos as emissões em 45%. Isso levou a uma oferta cada vez diversificada de veículos (40% dos modelos a lançar em 2021 serão eletrificados), mas é um esforço que tem custos elevados e deve ser acompanhado pelos poderes públicos.”

A expansão da rede pública de carregamento elétrica é um desses fatores. Helder Pedro considera que está melhor, mas defende também que é necessário aumentar o número de postos nos próximos anos, de forma a facilitar um acesso mais democrático e globalizado. “Temos de garantir que todos os cidadãos têm acesso à tecnologia, independentemente da sua condição social e não apenas quem tem casa com garagem própria.”

O objetivo definido é atingir os 3,2 milhões de pontos de carregamento na União Europeia até 2030, existindo ainda algum desequilíbrio, com quatro países a chamarem a si a maioria dos postos — Holanda (25%), Alemanha (21%), França (15%) e o Reino Unido (14%).

Já os incentivos fiscais à aquisição de veículos elétricos mantêm-se para 2021, o que deixa o secretário-geral satisfeito, ou moderadamente satisfeito. “É importante, claro. Ainda assim, achamos que se podia ir mais longe, à semelhança do que acontece noutros países europeus. Alguns aumentaram mesmo os incentivos. Em Espanha são 4 mil euros, na Irlanda 5 mil euros e em Itália 6 mil, por exemplo.”

Independentemente do valor, da crise e das limitações ainda existentes — parte do papel da ACAP é precisamente lutar por estas melhorias —, conclui que esta “revolução é elétrica”, bem-vinda, irreversível e que a aposta nos veículos elétricos não só veio para ficar como surgirão soluções inovadoras e surpreendentes durante os próximos anos. Seja por questões ambientalistas, seja por força das restrições impostas, construtores e automobilistas parecem estar cada vez mais em sintonia e consciencializados de que o caminho é verde.

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