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Uma vez elétrico, para sempre elétrico

Uma vez elétrico, para sempre elétrico

Um estudo realizado no Reino Unido revelou que só 1% dos condutores de carros elétricos ou híbridos plug-in pretende voltar a adquirir um veículo com motor de combustão.

A maior condicionante para que a indústria automóvel faça uma transição mais rápida para a mobilidade elétrica é a mentalidade dos consumidores em relação aos veículos elétricos. Vimos que no estudo realizado pela Zap-Map – plataforma de gestão de postos de carregamento – no Reino Unido apenas 1% dos condutores de carros elétricos a comprar um carro com motor de combustão. E em Portugal? O que levou os proprietários a tomar esta decisão, razões financeiras ou preocupações ambientais? Alguma vez se arrependeram? As grandes viagens são um problema? À falta de estudos, nada como dar voz aos utilizadores.

Rui Ramalhete, Oeiras

Quando comprei o último veículo de combustão, em 2005, decidi que o próximo seria totalmente elétrico devido à constante oscilação, normalmente para cima, do valor do combustível. Procurava diminuir os custos de manutenção, mas também ajudar a acabar com os oligopólios que controlam os preços do combustível mundialmente. Contribuir para a melhoria do ambiente pela ausência de emissão de CO2 e outros poluentes existentes nos veículos de combustão.

Nunca me arrependi desta opção, antes pelo contrário. Custa-me a entender que, ainda hoje, se continuem a adquirir veículos de combustão, pois estão condenados a desaparecer. Não terão sequer valor residual, pois daqui a muito pouco tempo ninguém os quererá.

Naturalmente, possuir um veículo elétrico implica algum ajustamento mental, mas traz melhorias na qualidade de vida. Nunca tive uma vida tão normal e despreocupada com um automóvel como quando comecei a andar de veículo elétrico. Relativamente às grandes viagens, hoje em dia não existe qualquer tipo de preocupação, face ao aumento da autonomia e do número de carregadores existentes em Portugal. Quando tive o primeiro VE – em junho de 2011, o sétimo de um particular em Portugal –, aí sim o planeamento tinha de ser bem feito. Outro fator de descanso é com as manutenções quase inexistentes ou desnecessárias. O que sabe sempre bem.

Nicole Sánchez, Lisboa

Comprei-o em segunda mão com pouca quilometragem, em 2019, por razões económicas. O meu carro ficava bastantes dias seguidos parado, pois deslocava-me a pé ou de bicicleta partilhada ou transportes públicos. Ao trabalhar por conta própria, 80% do meu trabalho é em Lisboa ou arredores, pelo que a autonomia de 250 km do Zoe mostrou-se sempre suficiente. Apenas numa situação senti “arrependimento”, que foi numa ida ao Porto e Viana do Castelo – a primeira viagem de longo curso que fiz. Ao longo do tempo fui experimentando alternativas. Por exemplo, nas idas regulares entre Lisboa e Tomar, em autoestrada, demorava três horas e meia e parava uma hora. Pela estrada nacional, faço o mesmo tempo sem necessidade de parar. E sem o custo das portagens e de carregamento. Portanto, o arrependimento nunca chegou a instalar-se, até porque já fui em várias ocasiões ao Algarve e a Sevilha. Recorri muitas vezes à experiência de outros utilizadores em viagens semelhantes e com veículos com autonomia similar.

Como não tenho garagem, o carregamento é feito na via pública. Planeio carregar de noite, para atingir o carregamento total. Nas deslocações que faço em trabalho, por vezes pesquiso a localização de carregadores previamente para poder carregar enquanto está parado. A utilização diária é normal, diria até que mais benéfica, dado possuir o dístico verde da EMEL que me permite estacionar em qualquer zona pagando apenas a anuidade referente a um residente. 

Telmo Azevedo, Sintra

Em 2011, optei por uma mota elétrica, pois era o meio mais eficiente, menos dispendioso e com menor pegada carbónica que encontrei para fazer os trajetos casa-trabalho – Sintra-Lisboa. Ao fim de uns anos, essa boa experiência fez-nos mudar os dois veículos a diesel da família por um híbrido plug-in. Estávamos em 2015 e ainda não havia uma cobertura de rede de carregamento por todo o território nacional. Como a rede aumentou e dá agora mais confiança e maior autonomia a preços mais acessíveis, trocámos por um 100% elétrico. Só nos traz vantagens pois carregamos em casa com painéis solares, o que financeiramente e ambientalmente nos deixa realizados.

Nunca me arrependi. Para nós é também uma forma de educação dos nossos três filhos, de que o futuro não pode continuar a ser baseado em combustíveis fósseis. Abolimos todos por casa, só temos renováveis. Gosto de ter uma regra nas viagens do dia a dia que é sair de casa com duas vezes mais os quilómetros que preciso de fazer. Fazemos 500 quilómetros com uma carga, o que é mais do que suficiente, e tomadas encontramos em quase todo o lado.

Bruno Silva, Oliveira de Azeméis

Entrei na mobilidade elétrica em 2016. Devo confessar que quando eu e a minha esposa equacionámos a aquisição de um veículo elétrico usado tínhamos muitas dúvidas e receios. No entanto, atendendo às deslocações em cidade que fazíamos, cerca de 50 quilómetros diários, e uma vez que tínhamos dois veículos a combustão, fazia todo o sentido que um fosse totalmente elétrico.

Foi a melhor opção que tomámos até hoje. Pecou apenas por ser tardia. Inicialmente, e como somos pais de uma menina, pensámos em tudo, desde ajudar a melhorar o ambiente e obter poupança em combustível. Se nos arrependemos da decisão? Definitivamente não. Até costumo brincar com isso dizendo que uma vez elétrico, para sempre elétrico.

Quanto a preocupações no dia a dia… não temos nenhuma. É chegar a casa, ligar a ficha e acordar para mais um dia sem qualquer preocupação. Quanto a grandes viagens, no início era um desafio, atualmente confesso que não me preocupa, até porque trocámos para um veículo mais recente e com maior autonomia. Coloco o destino na Miio e vou sem qualquer preocupação, pois a aplicação funciona muito bem. Podemos não demorar o mesmo tempo que com um veículo a combustão, mas para essas viagens de lazer mais longínquas vamos com calma e com tempo.

Anabela Aiveca, Lisboa

O que primeiro me motivou para comprar um veículo 100% elétrico foi a questão ambiental, mas reconheço que, ao aprofundar o tema na altura de pensar em comprar, outro dos motivos foi verificar que havia incentivos fiscais, assim como os gastos inerentes à viatura elétrica muito mais baratos.

Nunca houve arrependimento. Faço uma utilização absolutamente normal. Tento ter a bateria sempre carregada para uma eventual urgência. Durante a noite deixo-o ligado à tomada. O tempo que levamos a carregar um carro elétrico ainda não é o mesmo tempo que ir a uma estação de serviço e atestar um depósito, mesmo num carregamento rápido, por isso convém estar prevenido.

As grandes viagens nunca foram um problema, é uma questão de planear bem para saber onde carregar. Hoje em dia já existem muitos postos de carga rápida nas principais autoestradas e até fora delas. Já fui até Badajoz, Porto e Guimarães. Sem qualquer problema.

João Carlos de Freitas Gonçalves

Iniciei-me na mobilidade elétrica em maio de 2014. Já o deveria ter feito mais cedo. A principal motivação foi financeira. As questões ambientais surgem depois da realidade económica. Deveria tê-lo feito com mais antecedência, pois a poupança é brutal. Um dia elétrico, sempre elétrico. Há apenas uma mudança de mentalidade. O mesmo que fazemos com o nosso telemóvel quando não o estamos a usar no nosso trabalho. Ou seja, quando o veículo está parado, está sempre (que possível) à carga. Assim quando é necessário, está com mais autonomia para usar.

As grandes viagens, hoje com veículos de autonomia superior a 300 km, são mais simples e agradáveis. Eu, com um veículo de 180 km de autonomia, corria o país de norte a sul, sem grandes problemas, havia apenas uma boa gestão de tempo e percurso.

Henrique Sanchez, Lisboa

Foi um misto de preocupações ambientais e vantagens económicas, em que o interesse pelo avanço tecnológico e pela eficiência do motor elétrico ajudaram a uma rápida decisão ao adquirir o meu primeiro carro elétrico, em 2011. Com o passar dos anos e dos quilómetros percorridos, mais satisfeito e recompensado fiquei. Eficiência, silêncio, fiabilidade, economia de gastos, todo um mundo novo para quem gosta de conduzir e desfrutar da natureza.

A possibilidade de regeneração na travagem, fornecendo eletricidade à bateria, além de poupar as pastilhas dos travões, foi outra das grandes vantagens que pude comprovar na prática. No dia a dia, faço uma utilização perfeitamente normal sem qualquer preocupação ou condicionante.

Nas grandes viagens, especialmente no início, já lá vão dez anos, era fundamental programar bem, pois a rede pública de carregamento era limitada e os carros tinham autonomias reduzidas, inferiores aos 200 km. Hoje, o panorama é completamente diferente. A rede pública de carregamento possui mais de 600 postos de carregamento rápido e super-rápido, além de milhares de postos de carregamento normal, em parques de estacionamento, nos centros comerciais, nas grandes superfícies. Faço compras, vou ao cinema, almoçar ou jantar, enquanto o carro fica a carregar.

No entanto, como tenho possibilidade de carregar em casa é aí que o faço com um custo muitíssimo reduzido de cerca de 2 euros para percorrer cada 100 km.

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