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Carregar em casa: compensa instalar uma wallbox?

Carregar em casa: compensa instalar uma wallbox?

Ter a possibilidade de fazer o carregamento em casa não é condição obrigatória para adquirir um veículo elétrico. Tal como instalar uma wallbox não é. Mas pode fazer toda a diferença.

Se para colocar um veículo a combustão em andamento “basta” meter combustível, no caso de um automóvel elétrico basta carregá-lo – seja na rua, na cada vez maior rede de postos de carregamento públicos e privados, seja em casa. Foquemo-nos no carregamento caseiro.  Quase todos os modelos trazem de origem um cabo para carregar a bateria numa tomada convencional (o mesmo tipo de tomadas em que ligamos o secador, o micro-ondas ou a televisão) bastando por isso ligar à tomada para dar início ao processo.

Simples mais simples não há. Ainda assim, convém saber o que a casa gasta (neste caso, o que carrega) para evitar um processo demasiado moroso. De uma forma geral, os carregadores de série estão limitados a uma intensidade elétrica de 10 amperes (10 A), para garantir que há um correto funcionamento mesmo em instalações elétricas mais fracas. Ao utilizar a corrente alterna (AC), o tipo de corrente existente numa habitação convencional, a velocidade de carregamento é muito baixa, pouco mais de 2 kW por hora. Para carregar uma bateria de 40 kWh na totalidade são necessárias cerca de 20 horas (2 kW x 20 h = 40 kWh).

E estamos a falar de uma das baterias menos potentes. Há baterias com 62 kWh, 64 kWh, 75 kWh, 80 kWh ou 95 kWh, o que tornará os carregamentos (quase) infindáveis, em muitos casos superior a dois dias. Quanto mais potente for a bateria, maior é a autonomia e mais tempo demora a carregar na totalidade.

É claro que há sempre a possibilidade de carregar apenas uma parte em casa e o resto na rede pública e nos postos de carregamento rápido, embora essa não seja a melhor solução em termos de manutenção e gestão do (nosso) tempo e do tempo de vida útil da bateria.

Qual a solução?

A aquisição de um carregador portátil com maior potência é uma delas. Ao invés dos 10 A a potência chega aos 16 A, suficiente para carregar a uma velocidade até 60% superior. Além disso, podem ser utilizados sem necessidade de alterações na instalação elétrica. A maioria deste tipo de tomadas deteta automaticamente a ligação de um automóvel, conseguindo determinar a potência máxima a fornecer. É possível conseguir 100 km de autonomia em cerca de seis horas.

A solução mais prática e rentável a médio e longo prazo são as wallbox – caixa na parede, em português. No fundo, é um pequeno posto que permite a realização de um carregamento muito mais rápido do que através de uma tomada elétrica normal. E mais cómodo e mais seguro. Tal como há vários modelos automóveis, também há diferentes tipos de wallbox (podem chegar até 22 kW), podendo os preços podem variar entre os 500 e os 1.000 euros. Quem não quiser ou puder comprar, também pode alugar. Se bem que, hoje em dia, são muitas as marcas que, na tentativa de cativar mais clientes, oferecem este equipamento de série.

De uma forma geral, a oferta situa-se entre os 2,4 kW e 22 kW de potência. Os modelos mais comercializados são os de 7,4 kW (até porque basta ter uma ligação monofásica), dando a possibilidade de a corrente ser configurada de 6A a 32A. É mais do que suficiente para, na maior parte dos modelos, carregar a totalidade da bateria durante a noite. 

Para instalar as de 11 kW e 22 kW é necessário um contador trifásico. E pode nem sequer ser necessário tanta potência, até porque a escolha da wallbox tem de ser feita em consonância com a capacidade do motor interno do automóvel – e a maioria dos carregadores internos dos veículos elétricos está limitada a 7,4 kW.

O problema dos apartamentos

O desenvolvimento e a tecnologia estão, pelo menos numa fase inicial, quase sempre associados a alguma confusão, uma vez que a realidade (e muitas vezes a lei) nem sempre acompanha a velocidade de mudança. Quem tiver uma moradia não terá qualquer problema no que diz respeito à instalação da wallbox, já quem vive em apartamentos pode ter a vida um pouco mais dificultada. Em teoria, num prédio em que os condóminos tenham lugares de garagem e queiram fazer uma instalação, ninguém se poderá opor – desde que esta não ponha em risco a segurança de pessoas ou bens e não prejudique a linha arquitetónica do edifício. Na prática, nem sempre é assim e as perguntas multiplicam-se: quem paga a instalação? E os consumos? Quem pretende beneficiar do posto de carregamento é quem deve ficar responsável pelos custos, mas isso não impede que o condomínio possa assumir a obra e a respetiva despesa, para que todos os condóminos possam usar o dispositivo. Quanto à conta é simples: paga quem consome. Neste caso, quem carrega. Para evitar confusões convém que haja, sempre que possível, um contador próprio e com faturação autónoma.

O bom senso, nesta como em tantas outras áreas, é o melhor dos conselhos. Por isso, deve pedir autorização por escrito e com antecedência ao condomínio antes de qualquer instalação.

Alemães garantem direito a wallbox em casa arrendada

Em Portugal, muitos proprietários ainda têm problemas em conseguir instalar uma wallbox. Na Alemanha, o governo atribuiu em 2020 o direito de instalar inclusive em casa arrendada. A medida está em vigor desde novembro e está integrada na lei de proteção ambiental, que visa favorecer a utilização de veículos elétricos. Até aqui, apenas os proprietários dos prédios, dos apartamentos ou das casas tinham o direito de solicitar a instalação, cabendo-lhes decidir sobre a montagem ou não deste equipamento. Com a nova lei, o proprietário continua a ter de ser informado, mas já não se poderá opor legalmente ao desejo do locatário.

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