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Startups imprimem otimismo no desafio às alterações climáticas 

Startups imprimem otimismo no desafio às alterações climáticas 

Para o seu livro "Race for Tomorrow", o jornalista Simon Mundy visitou 26 países e mostrou-se particularmente surpreendido pelos avanços tecnológicos endereçados pelas startups para enfrentar os desafios derivados das alterações climáticas.

A maior história do século. É assim que Simon Mundy, editor da plataforma “Moral Money”, do Financial Times, e autor do livro “Race for Tomorrow”, considera as alterações climáticas, variações que tocam todas as áreas, sem exceção. “Como jornalistas, muitas vezes tratávamos as alterações climáticas como marginais à história económica, dos negócios, à história social ou cultural. Não eram centrais. Agora, como todos sabemos, são absolutamente cruciais para cada uma dessas histórias”, começou por referir na sua intervenção na Galp Electric Summit – Energy Conference, organizada pelo Jornal de Negócios em parceria com a Galp, a Toyota, o Montepio Crédito e o município de Oeiras.

Para escrever o seu livro, Mundy resolveu vestir o papel de “jornalista à moda antiga” e, durante dois anos, percorreu 26 países “para estar junto das pessoas que estão a sofrer as consequências destas variações climáticas assim como com os que estão a endereçar a transformação energética necessária para responder” a este problema coletivo. 

Quando lhe perguntam qual o mais extraordinário dos lugares que visitou, inevitavelmente o jornalista “volta” à Mongólia, sobre um dos mais contraintuitivos impactos das alterações climáticas, que tem vindo a enfrentar severos invernos, com os animais a terem dificuldade em arranjar comida. “Algo que encontrei um pouco por todo o mundo é o quão desproporcional o efeito das alterações climáticas se faz sentir nas comunidades mais desfavorecidas e, muitas vezes, naquelas que menos contribuíram menos para o problema.”

Coreia do Sul, Brasil e Bangladesh foram outros exemplos dados na conferência pelo autor, que deu exemplos de pessoas que viram alterado o seu modo de vida, “muitas vezes secular”, muitos a terem de se deslocarem para outras regiões. “A maior corrida da história da humanidade é a corrida para responder às alterações climáticas”.

Emirados (mais) verdes

Nesta luta coletiva, o jornalista do “Moral Money” fala de uma “remodelação do sistema energético” e aborda o papel central das empresas para a necessária mudança do mundo, onde a inovação e a estratégia inteligente terão um papel crucial para que a humanidade enfrente estes desafios.

Em conversa com o príncipe Abdulaziz bin Salman, ministro da Energia da Arábia Saudita, Mundy mostrou-se surpreendido pela evolução da perspetiva daquele país – que tem dos índices de produção de petróleo mais baixo do mundo – e pelo facto de nem aquela geografia poder ignorar a forma “como os ventos da mudança estão a soprar na indústria energética”. Abdulaziz bin Salman fala hoje em hidrogénio, seja azul ou verde, e no potencial da Arábia Saudita nestas matérias, “algo que tratei com uma boa dose de ceticismo”. De resto, o autor diz estar particularmente curioso com a receção dos Emirados Árabes Unidos da próxima cimeira do clima (COP28).

Simon Mundy conversou com Sultan Ahmed al-Jaber, que tem sofrido duras críticas pela sua nomeação de presidente da conferência, isto porque é atualmente o presidente executivo da petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos. Sultan Ahmed al-Jaber falou ao jornalista de numa “cimeira transformacional”. 

Otimismo empresarial

Na sua investigação para o livro “Race for Tomorrow”, o autor mostrou-se particularmente otimista com as startups que encontrou um pouco por todo o mundo e que estão a desenvolver avanços tecnológicos para enfrentar alguns dos maiores desafios que hoje vemos no mundo derivados das alterações climáticas. O jornalista citou vários exemplos, como um sistema que suga o dióxido de carbono do ar e transforma-o em pedra no subsolo, dissolvendo-o em água carbonatada. “Este é apenas um exemplo dos extraordinários avanços que vi em tecnologia que pode realmente ajudar-nos a enfrentar esta crise”.

Porém, para que soluções desta natureza se desenvolvam, “será necessário ter um mercado de carbono eficaz”, refere. “Já todos ouvimos falar de compensações de carbono, mas a grande maioria, mais 95% das compensações de carbono, nada têm a ver com a remoção de carbono da atmosfera.” Por isso, Mundy salienta que “vamos precisar de repensar a forma como estes mercados funcionam, se quisermos realmente enfrentar estes desafios de uma forma séria”.

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